Nem todo cansaço é normal: médicos alertam para doenças que começam com fadiga

O ano mal começou e muita gente já sente o peso da rotina. Volta às aulas, contas acumuladas, metas profissionais, trânsito, trabalho e a sensação de que o ano engrenou em ritmo acelerado demais. Em meio a essa agenda intensa, o cansaço acaba sendo tratado como algo natural. Mas especialistas alertam: quando a fadiga é constante e não melhora com descanso, pode ser sinal de doenças que não apresentam indícios muito claros. 

De acordo com médicos do Hospital Madrecor, unidade da Hapvida em Uberlândia-MG, sintomas como indisposição persistente, sonolência excessiva, falta de ar leve e dificuldade de concentração não devem ser ignorados. 

Para o clínico geral, Heitor Bertoni, é preciso atenção quando o sintoma deixa de ser ocasional. %u2019O cansaço 'normal%u2019 costuma melhorar com descanso e sono adequado. Já o que preocupa é aquele persistente, que não melhora mesmo após dormir bem, vem acompanhado de outros sintomas ou começa a interferir nas atividades do dia a dia. Quando passa a limitar a vida da pessoa, é um sinal de alerta'. 

Entre os sintomas frequentemente ignorados estão fadiga constante, sonolência excessiva, falta de ar aos pequenos esforços, dores de cabeça frequentes, palpitações, tonturas, alterações do sono, ganho ou perda de peso sem explicação e dificuldade de concentração. %u2019Muitos desses sinais são tratados como 'coisa do estresse%u2019, mas podem indicar problemas de saúde. O cansaço persistente pode estar associado a causas simples e tratáveis, como anemia e deficiência de vitaminas, mas também a alterações hormonais, distúrbios do sono, doenças cardiovasculares iniciais e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão', explica Heitor Bertoni. 

Investigação começa pela escuta 

Segundo Bertoni, o primeiro passo diante de um paciente que relata cansaço é uma boa anamnese. %u2019Entender há quanto tempo o sintoma existe, se é progressivo, se há relação com sono, alimentação, rotina, estresse emocional ou uso de medicamentos. A história clínica bem feita já direciona grande parte do diagnóstico'. 

Exames simples, como hemograma, avaliação da tireoide (TSH), glicemia, ferritina, vitamina B12 e função renal, costumam ser suficientes para identificar causas frequentes como anemia, alterações hormonais ou deficiência nutricional. 

O médico também reforça que estresse e sobrecarga emocional podem se manifestar fisicamente. %u2019Ansiedade e depressão podem gerar cansaço intenso, dores musculares, falta de ar e palpitações. Esses sintomas são reais e precisam de cuidado integral', alerta. 

Alterações hormonais são causas comuns 

Para o endocrinologista do Hospital Madrecor, Ricardo Baroni Vieira, muitas doenças metabólicas começam de forma silenciosa. %u2019Muitas alterações hormonais se manifestam apenas como fadiga, desânimo e redução da disposição. O paciente costuma se adaptar ao sintoma e postergar a investigação. Por isso, é importante dar atenção quando o corpo fala'. 

Segundo o médico, distúrbios da tireoide estão entre os mais comuns, especialmente em mulheres. %u2019No hipotireoidismo, os sintomas podem incluir cansaço constante, sonolência, queda de cabelo e ganho de peso. Já no hipertireoidismo, ansiedade, insônia e palpitações. O desafio é que são sintomas inespecíficos, muitas vezes confundidos com uma fase ruim'. 

Sono ruim desregula o organismo 

O endocrinologista explica que dormir muitas horas não significa, necessariamente, descanso adequado. %u2019O sono de qualidade depende dos ciclos de sono profundo e REM (fase do sono em que o cérebro fica muito ativo, quase como se estivesse acordado). É nesse momento que a pessoa sonha mais intensamente e que o corpo consolida memórias, regula emoções e ajuda na recuperação mental. Se há interrupções por roncos, apneia, uso excessivo de telas ou ansiedade, o corpo não se recupera adequadamente', argumenta Baroni. 

A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, é frequentemente subdiagnosticada e pode estar associada a risco cardiovascular. %u2019Entre os sinais de sono não reparador estão acordar já cansado, dor de cabeça matinal, sonolência diurna, irritabilidade e necessidade excessiva de café', explica o médico. 

Quando procurar ajuda? 

Os especialistas orientam que sintomas persistentes por mais de duas a três semanas devem ser avaliados. A investigação deve ser mais precoce se houver falta de ar, dor no peito, emagrecimento sem causa aparente ou desmaios.
 
Bertoni alerta sobre a automedicação. Segundo ele, tomar remédios por conta própria também é um fator de risco. %u2019Estimulantes, energéticos e vitaminas sem orientação podem mascarar sintomas e atrasar diagnósticos'. 

Prevenção começa na rotina 

A orientação médica é adotar hábitos que favoreçam o equilíbrio do organismo. 'Ter um sono regular, manter uma dieta equilibrada, reduzir telas à noite e realizar check-up periódico é muito importante para evitar problemas de saúde', orienta o endocrinologista. 

'O corpo raramente adoece de repente. Ele costuma avisar antes, em silêncio', conclui Ricardo Baroni. 
 



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